terça-feira, 30 de março de 2010

A marca de uma lágrima (Pedro Bandeira)

1ª Parte: Uma gota de sangue

Aquele era o seu pior inimigo. O mas cruel, o mais cínico o mais impiedoso. Um inimiugo que falava a verdade. Sempre, sempre a verdade. Toda aquela verdade que Isabel conhecia muito bem e que nunca a abandonava.
Ainda com a escova de cabelo na mão, Isabel não podia deixar de encará-lo. Lá estava ele, encarando a garota de volta, com os próprios olhos da menina. De um lado, eles estavam molhados, do outro, refletiam-se gelados, vítreos, impiedosos.
- Feia...
Isabel sufocou um soluço.
- Gorda...
Uma lágrima formou-se na pontinha da pálpebra.
- Que óculos horrorosos...
Como um bichinho que foge, a lágrima saiu da toca e foi esconder-se no aro dos óculos.
- Você plantou uma rosa no nariz, é?
- Cale a boca...por favor...
já mais grossa, a lágrima livrou-se dos óculos e escorreu pelo rosto de Isabel.
- Sabe que essa rosa vai ficar amarela? Amarela e grande...
A lágrima penetrou-lhe pelos lábios e Isabel reconheceu aquele gosto salgado, tão comum e tão amargo em momentos como aquele.
- Por favor... me deixe em paz...
- Você vai espremer a rosa amarela. O seu nariz vai inchar... os lábios de Isabel apertaram-se, molhados, sem palavras. Aquela garota, que sempre tinha resposta para tudo, sempre uma gozação na hora certa, uma tirada de gênio que deixava qualquer provocador sem graça, não sabia o que dizer quando seu grande inimigo apontava sadicamente cada ponto fraco que havia para apontar.
- ... e você vai ter vergonha de voltar ás aulas na semana que vem...
- Cale a boca!
A raiva foi tanta que a escova de cabelo voou com força, acertando o inimigo em cheio, bem na cara..........





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Ei você ai, obrigada por suas palavras e bla bla bla